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Marcha da Maconha: o perigoso caminho da insensatez

02/05/2012

Amigos leitores, primeiramente permitam-me que eu peça desculpa pela minha longa ausência. Não é falta de interesse, mas sim falta de tempo. Dito isso, voltemos ao assunto: recebi um comentário muito interessante em um post antigo que publiquei contra as drogas. O comentário, postado pelo coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro Milton Corrêa daCosta, expressa a preocupação com relação a manifestações como a Marcha da Maconha que ocorrerá no próximo sábado, dia 5 de maio de 2012. Para quem, assim como eu e o coronel, se recusa a acreditar que “uma erva natural não pode te prejudicar” (como já dizia uma infame canção) recomendo a leitura do artigo no Observatório da Violência. Importante: não estou recomendando a leitura do arquivo como uma forma de pregação moral, mas para uma reflexão sobre algo que diz respeito à sociedade como um todo. Outra coisa, não estou dizendo que concordo integralmente com o texto (por exemplo: o trecho que diz que a legalização aumentaria o número de usuários é algo que eu considero questionável), mas certamente é algo que merece ser lido com atenção.

P.S.: Para os fanáticos pró-maconha de plantão* que adoram rotular quem se opõe a eles de fascista, peço que leiam o artigo antes de criticar e que o façam com o mínimo de respeito.

* Note que não me refiro a todos os que são favoráveis à legalização da droga, mas sim aos que oferecem apoio incondicional à causa sem medir as conseqüências.

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9 comentários

  1. Um país de gângsteres, boateiros, blindeiros e mentirosos. O que dizer aos nossos filhos?

    Milton Corrêa da Costa

    O vergonhoso episódio que leva o país, perante o mundo, para um imunda e fétida vala podre, envolvendo a ardilosa tentativa de um ex-presidente da República, de blindar a quadrilha dos ‘companheiros do ‘mensalão’, ao pressionar e ameaçar indiretamente o Poder Judiciário, com a possibilidade de colocar também na lama a integridade moral do ministro Gilmar Mendes, do STF, fere todos os princípios éticos da política e cai no mundo do crime e do gangsterismo.

    Quando três pessoas têm três distintos relatos sobre um fato-a Veja denunciou o encontro no gabinete do ex-ministro Nelson Jobim ocorreu- das três uma: ou os três mentem, ou dois dizem a verdade e o outro mente, ou um só diz a verdade. Pelo tom de indignação, até que se prove em contrário, como cidadão brasileiro, no pleno direito constitucional da liberdade de pensamento, fico com a verdade do Ministro Gilmar Mendes.

    Indignado com o que chama de “ sórdida ação orquestrada para levar o Supremo Tribunal Federal para a vala comum”, Gilmar Mendes não teve papas na língua: “A gente está lidando com gângsteres. O Brasil não é a Venezuela onde Chávez já mandou prender até juiz. Estamos lidando com bandidos que ficam plantando essas informações (boatos)”, acusando o ex-presidente Lula (o chapéu no estilo Al Capone é mera coincidência) de centralizar a divulgação de informações falsas sobre a rederida autoridade judicial.

    Resumindo, chamou Lula, com todas as letras, de chefe dos gângsteres e do banditismo. Em sua defesa Lula não se pronunciou. No início da notícia do ‘mensalão’ Lula havia declarado que de nada sabia. Depois se disse traído. Por último tenta blindar os ‘companheiros traidores’. Por mais que se tente não dá pra entender tais distintos comportamentos. Que interesses teria o ex-presidente em tentar blindar os companheiros do PT? Será que haverá novas denúncias durante o julgamento do esquema do Valerioduto? Ou trata-se apenas de postergar o julgamento para fazê-lo cair no esquecimento? Ou será que é mesmo pura gratidão aos saudosos companheiros?

    Pelo sim e pelo não, estamos diante de um escândalo “jamais visto na história desse país” ( qualquer semelhança novamente é mera coincidência). Fico pensando mesmo o que dizer aos nossos filhos e netos. O partido da decantada ética, a grande vestal da política brasileira, o Partido dos Trabalhadores PT), que se opunha a tudo de ruim que ocorria no país da cachoeira de denúncias, do dólar na cueca, do envelope suspeito dos gabinetes e das licitações fraudulentas, acabou também enlameado e sujo, dos pés a cabeça, pela mesma lama.

    Só resta agora ao Supremo Tribunal Federal julgando o quanto antes o processo do ‘mensalão’, deixar claro ao povo brasileiro que o crime do colarinho branco e dos gabinetes da política também não compensa. O exemplo da firme aplicação da lei, para as novas gerações, precisa ser deixado.

    Por enquanto, como disse o Ministro Gilmar Mendes, a gente está lidando com gângsteres”. Profundamente lamentável. Continuamos sendo o país da falta de ética e de vergonha. A sociedade brasileira, em nome da ética na política, aguarda ansiosa a decisão do Supremo Tribunal Federal. Que prevaleça sobretudo a isenção e o rigor da lei. Ainda bem que a imprensa é livre neste país.

    Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro


  2. Drogas: a abertura legal da perigosa porta da dependência

    Milton Corrêa da Costa

    Na contramão da grande maioria dos países, a comissão de juristas brasileiros, encarregada de elaborar o anteprojeto do novo Código Penal, acaba de aprovar a descriminalização de drogas ilícitas para uso pessoal.

    A quantidade apreendida tem que ser, no máximo, suficiente ao consumo médio individual por cinco dias (ainda dão prazo), conforme definido pela autoridade administrativa de saúde. Ou seja, a legião de drogados sem rumo vai ter que andar com a receita médica a tiracolo. Ou uma quantidade servirá para todos?

    O inacreditável é que, além de poder consumir (e plantar para consumo próprio) a maconha, também a cocaína e o crack (a ‘droga da morte’), entre outras substâncias entorpecentes, poderão ser consumidos, desde que (pasmem) se fume ou cheire individualmente.

    Quanto maior o poder destrutivo da droga, menor a quantidade diária a ser consumida, diz a comissão. Custo a acreditar em tal proposta tolerante e perigosa.

    Para determinar se a droga realmente destinava-se a consumo pessoal, o juiz deverá saber agora a natureza e a quantidade da substância apreendida, a conduta do infrator, o local e as condições em que ocorreu a apreensão, assim como as circunstâncias sociais e pessoais do consumidor de drogas . Ou seja, se for consumidor de classe média ou alta fica difícil estabelecer se estamos diante de um traficante. Se for pobre e favelado, nem tanto.

    O interessante é que o poder público, com tal proposta, passa a ser o próprio indutor oficial do uso da droga. Ou seja, a nova Holanda é definitivamente aqui. As cenas de drogados prostrados em praças públicas, por overdose, serão mais um cartão de visita do nosso querido Brasil. A proposta permissiva, com base no discurso da chamada corrente progressista, é descriminalizar e abrir legalmente a perigosa porta do proibido, protegendo o usuário e o dependente de droga, como se a violência do tráfico fosse diminuir e como se traficantes fossem depor seus arsenais de guerra.

    A finalidade não deve ser tentar tirar o usuário ou dependente do vício? Vai poder cheirar e fumar antes de ir para o colégio ou para a universidade? Terá que ser maior de idade para consumir oficialmente? Quem vai fiscalizar se o baseado ou o crack serão fumados individualmente? O plantio da maconha nas residências farão parte de um perfeito conluio familiar?

    “O uso de drogas leva adolescentes à prática de outros atos criminais”, diz o procurador da 3ª Vara Criminal de Justiça do Rio de Janeiro, Márcio Mothé Fernandes, que passou 15 anos na Vara de Infância e Adolescência cuidando de casos de usuários de drogas. “Alguém precisa impor limite, como o tratamento compulsório. As pessoas não estão preparadas para descriminalização sem uma medida mais enérgica”, observa.

    Está, pois, prestes a ser consolidada a desgraça maior. Resta agora que o Congresso Nacional e por último à Presidente Dilma Rousseff impeçam tal perigosa ameaça. Drogas não agregam valores sociais positivos. O exemplo da Holanda não nos serve. Não há nenhuma certeza de que modelos importados se adaptem ao Brasil.

    Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro


  3. A apologia ao uso da maconha com a logomarca da Prefeitura do Rio de Janeiro

    Milton Corrêa da Costa

    Como se não bastassem os tumultos causados com a realização das chamadas ‘Marchas da Maconha’, um blog da Coordenação de Saúde Mental, programa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio, recomenda -é inacreditável a tamanha desfaçatez- e orienta usuários de maconha ao plantio da erva para consumo próprio, além de orientar também a frequência ao culto da seita do Santo Daime, como formas de redução de danos à saúde, tudo isso com a logomarca da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, conforme matéria de destaque do Jornal ‘O DIA’/RJ, de sábado, 12/05/12.

    Ou seja, apologia explícita e oficializada ao uso de droga ilícita, crime previsto no artigo 33, parágrafo segundo, da Lei 11343./06, a Lei Antidrogas, em pleno vigor em território nacional.( “CONSITUI CRIME INDUZIR, INSTIGAR OU AUXILIAR ALGUÉM AO USO INDEVIDO DE DROGAS”), lembrando que o uso e o plantio da cannabis e outras formas, também são proibidos pela citada lei.

    Inacreditável e inadmissível tal prática permissa, via Internet, arquitetada através de um órgão oficial da prefeitura municipal, num total desrespeito à lei e à ordem.Uma grave e perigosa ameaça à sadia juventude, cuja prevenção ao não uso de drogas é a estratégia recomendável, não a permissividade e o incentivo ao uso. Será que a Secretaria Municipal de Educação também segue, oficialmente, tais orientações (“pedagógicas”) e recomendam para alunos da rede de ensino, envolvendo crianças e adolescentes. É preciso apurar. O que realmente estará por trás disso?

    É por demais sabido, inclusive, que a maconha, tal e qual o álcool, são comprovadamente portas abertas ao consumo de drogas mais pesadas. O incrível é que a orientação e o incentivo para a prática criminosa parte de um órgão que trata de saúde mental. Um recente estudo, elaborado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) concluiu que o hábito de fumar maconha, mesmo em pouca quantidade, PODE DANIFICAR A MEMÓRIA. Quando o uso é crônico e se inicia antes dos 15 anos de idade, o risco é ainda maior, devido ao efeito tóxico e cumulativo do tetrahidrocanabinol(hoje mais potente pelas mutações genéticas), no desempenho cerebral, afirma a pesquisa.

    Um outro estudo, coordenado pelo médico Killian A, Welch, da Universidade de Edimburgo, observou os efeitos do uso da maconha e sua relação com a esquizofrenia onde foram estudadas as mudanças estruturais no tálamo e na amígdala-hipocampo ao longo do tempo, em 57 pessoas, com idade entre 16 e 25 anos que estavam bem, passando por uma avaliação completa, incluindo um exame deressonância magnética. Dois anos mais tarde, cada um deles retornou para outra ressonância magnética e responderam a perguntas sobre o uso de drogas ilícitas, inclusive a maconha, bem como seu uso de álcool e tabaco no período entre os exames. Dos 57 participantes, 25 tinham usado maconha entre as duas avaliações.

    Conclusão da pesquisa: “Os pesquisadores descobriram que osparticipantes que tinham usado maconha mostraram redução do seu volume talâmico que foi significativo no lado esquerdo do tálamo (F = 4,47, P = 0,04), e altamente significativos à direita (F = 7,66; P = 0,008). No entanto não se observou nenhuma perda de volume do tálamo naqueles que não fizeram uso demaconha durante o período de 2 anos.”

    Em entrevista ao site Medscape Medical News, afirmou o autor da pesquisa , dr. Kilian Welch: “Já é aceito pela maioria dos psiquiatras que fumar maconha AUMENTA O RISCO DE PSICOSE no indivíduo, e mais especificamente a esquizofrenia . Este é o primeiro estudo longitudinal a mostrar que o consumo de cannabis por indivíduos com riscoaumentado de esquizofrenia resulta em desenvolvimento cerebral de maneira diferente daquela como se desenvolve se não usar a droga,” observou o Dr.Welch.

    Nesse contexto de apologia oficializada ao uso de drogas, questiona-se ainda a recomendação da página em questão para frequência aos cultos da seita Santo Daime, lembrando que um dos frequentadores, o jovem Kadu, com 24 anos à época, sob o efeito de maconha, conforme comprovado em exame toxicológico, matou, em São Paulo, no ano de 2010, o criador da citada seita, o cartunista Glauco Vilas Boas e o filho deste. Kadu fumava maconha desde os 15 anos de idade, tendo o uso contínuo da droga acelerado seu processo de esquizofrenia, segundo relato do próprio pai.

    Aqui vale ressaltar o importante depoimento do presidente da Associação dos Dependentes Químicos em Recuperação, ao jornal ‘O DIA’, não poupando críticas ao conteúdo do blog, que estampava o conteúdo do livro “Drogas: Clinica e Cultura/Toxicomanias, Incidências Clínicas e Antropológicas”, e recomendado pela Coordenação de Saúde Mental, programa da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil: “O que está por trás disso é uma política nefasta de legalização das drogas. Defendemos ajuda para quem, por algum motivo, acreditou que seria bom usar drogas, e teve suas vidas e de suas famílias destruídas, mas agora quer recomeçar tudo sem usar drogas”, afirmou.

    O blog em referência, às 22h da sexta-feira 11/5, depois de questionamentos feitos pelo Jornal ‘O DIA’, com 105 mil visitações, tirou o conteúdo do livro do ar, onde num trecho (pasmem) afirmava: “Permitindo ao usuário produzir a droga que consome, estaria contribuindo com sua saúde”. Acho que tal permissividade estaria em verdade contribuindo ainda mais para a desgraça e o desrespeito familiar, onde filhos drogados cultivariam a maconha em suas residências para depois fazerem uso da droga e permanecerem em estado letárgico, amotivados para a vida saudável. Alguns viram, em realidade, ‘trapos humanos’ pelo uso e dependência de drogas e destroem famílias inteiras.

    Absurdo e ousadia com todas as letras. Espera-se agora que a Polícia Civil e o Ministério Público apurem a infringência à Lei Antidrogas e possivelmente ao Estatuto da Criança e do Adolescente, observado o explícito incentivo ao uso de droga ilícita.

    Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro


  4. “Segui o conselho de minha mãe, mas o outro motorista estava bêbado”

    Milton Corrêa da Costa

    “Mãe, fui a uma festa e me lembrei do que você me disse. Você pediu que eu não tomasse álcool, mãe… Então, ao invés disso, tomei um “sprite”.Senti orgulho de minha mesma, e do modo como você disse que não deveria beber e dirigir, ao contrário do que alguns amigos me disseram. Fiz uma escolha saudável e seu conselho foi correto. Quando a festa acabou o pessoal começou a dirigir sem condições. Fui para o meu carro na certeza de que iria para casa em paz. Eu nunca poderia imaginar o que estava me aguardando, mãe… Algo que eu não poderia esperar. Agora estou jogada na rua e ouvi o policial dizer: “O rapaz que causou este acidente estava bêbado…”, mãe; sua voz parecia tão distante… Meu sangue está escorrido por todos os lados e eu estou tentando, com todas as minhas forças, não chorar…Posso ouvir os paramédicos dizerem: “A garota vai morrer”…Tenho a certeza de que o garoto não tinha a menor ideia, enquanto estava a toda velocidade, afinal ele decidiu beber e dirigir, e agora tenho que morrer.

    Então por que as pessoas fazem isso, mãe, sabendo que isso vai arruinar vidas? E agora a dor está me cortando como uma centena de facas afiadas… Diga a minha irmã para não ficar assustada, mãe! Diga ao papai que ele seja forte. E quando eu for para o céu, escreva algo em minha lápide que possa servir de ensinamento a quem bebe ao volante, mata, morre e mutila e causa dor e tristeza às famílias. Alguém deveria ter dito aquele garoto que é errado beber e dirigir. Talvez , se seus pais tivessem dito, eu ainda teria a possibilidade de frequentar muitas festas e continuar ao lado de vocês. Minha respiração está ficando mais fraca mãe, e eu estou realmente ficando com medo… Estes são meus momentos finais e me sinto tão despreparada… Eu gostaria que você pudesse me abraçar mãe… Enquanto estou estirada aqui, morrendo, eu gostaria de dizer que te amo, mãe… ( NESTE MOMENTO, AO REPRODUZIR O TEXTO, NÃO RESISTI E FUI TOMADO PELAS LÁGRIMAS E PELA TRISTEZA; TENHO TRÊS FILHAS; RECOBRO AS FORÇAS E SIGO EM FRENTE). Então: Te amo e adeus…”

    Essas palavras foram escritas por um jornalista que presenciou o acidente enquanto a jovem agonizava. Muito chocado o jornalista, há tempos atrás, iniciou uma campanha para que você não perca a chance de também conscientizar mais e mais pessoas. Este pequeno gesto pode fazer a diferença. Não espere que um amigo ou um parente morra para que você mude a sua atitude no trânsito. Você pode, a partir de agora, estar fazendo algo para mudar isso.

    Ao repassar esse texto você estará começando a mudança. Não deixe que sua mãe passe pela dor eterna da saudade de sua ausência, pela atitude imprudente ao volante ao conduzir um carro ou uma moto. Não lhe dê essse triste presente. Neste domingo, a ela especialmente dedicado, abrace-a com todas as forças do mundo. Não perca essa oportunidade. Outras não poderão sentir a mesma ternura. Abrace sua mãe por muitos e muitos anos. Se beber não dirija.

    Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro e articulista da ABETRAN


  5. Muito bom meu nobre amigo Guedes!! Voce sempre de parabens com seus posts! HC.


  6. TEXTO COM A CORREÇÃO ORTOGRÁFICA

    ‘Marcha da Maconha': o perigoso caminho da insensatez

    Milton Corrêa da Costa

    No próximo sábado, 05 de maio, transcorre. na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, mais uma ‘Marcha da Maconha’, estando proibido, obviamente, qualquer tipo de apologia ou consumo da droga durante a manifestação. É bom lembrar que fazer apologia, comercializar , trazer consigo (transportar), plantar, cultivar, etc, etc.., ou fazer uso da cannabis, constitui crime previsto na Lei 11343/06, a Lei Antidrogas.

    Até aqui tais manifestações, agora também liberadas pelo SupremoTribunal Federal, inclusive no que tange à passeatas reivindicatórias sobre descriminalização e legalização de outras drogas ilícitas, surtiram pouco ou nenhum efeito. Usar maconha continua sendo crime e não há nenhuma movimentaçãono Congresso Nacional que faça entusiasmar a chamada corrente progressista da droga, encabeçada por intelectuais, estudiosos, ONGs e ex-autoridades, no que tange ao atendimento ao pleito. Aliás seria cômico se não fosse trágico ver os 3 mil dependentes das 11 cracolândias do Rio, alucinados, no mundo da lua, numa marcha do crack. Só faltava essa.

    Falando um pouco mais sério, aqui vale ressaltar uma pesquisa desenvolvida em 2001, durante o período de um ano, no bairro de Brixton, em Londres, que conviveu com a maconha às claras. Gente fumando nasruas e traficantes oferecendo o produto pelas calçadas, à luz do dia, tornaram-se uma visão corriqueira. A droga já não era nenhuma novidade nobairro, na parte pobre da capital inglesa, mas nunca foi consumida tãoabertamente. Esse foi o efeito de uma iniciativa da polícia de Lambeth, distrito londrino que inclui Brixton. Com o objetivo de liberar agentes para o combate acrimes mais graves, o comandante local decidiu que os usuários de maconha seriam apenas advertidos, e, no máximo sofreriam a apreensão da droga,

    O teste trouxe resultados dúbios e foi interrompido no fim de julho de 2002. A polícia, de fato, poupou algum tempo, mas muito menos que imaginava. Em seis meses avaliados, 1.350 horas de trabalho, antes gastas com procedimentos de fichar e interrogar usuários de maconha puderam ser usadas emcombate a outros delitos. O montante equivale a 90% do trabalho em tempo integral de dois policiais, num total de 860 lotados naquele distrito. As ocorrências ligadas à posse da erva cresceram 35% e o tráfico subiu 11%. Nos bairros vizinhos, os flagrantes de posse caíram 4% e o tráfico 34%, confirmando o que os moradores mais temiam: Brixton se tornou ponto de reunião de“maconheiros”, da cidade inteira.

    Ninguém mediu o grau de satisfação da comunidade, mas agrande maioria dos habitantes locais entrevistados pela imprensa deixou claroque detestou o convívio com consumidores e traficantes de drogas nas praças,calçadas e estações de metrô. Até hoje nenhuma experiência semelhante foirealizada pela polícia inglesa. Prevaleceu o direito da maioria, o interessesocial coletivo contra a liberalidade de uma minoria de drogados sem rumo.Ressalte-se que na Holanda uma nova lei já proíbe, em algumas cidades, a vendade maconha em coffee shops para turistas estrangeiros. Tal norma deve ser estendida para todo o território holandês até o ano que vem. Usuários e dependentes, acometidos de overdose e jogados em praças públicas, transformou-se numa cena incômoda e muito comum na Holanda, que estuda rever a sua política permissiva com drogas.

    Com relação aos males provenientes do consumo da maconha,que certificam que a erva não é tão inofensiva assim, uma pesquisa publicadanas páginas da Internet, com notícia originária de Londres, mostrou que jovens que fumam maconha por seisanos ou mais têm o dobro de possibilidade de sofrer de episódios psicóticos do que pessoas que nunca fumaram a droga. As descobertas fortalecem uma pesquisaanterior que relacionam psicose à droga, particularmente em sua forma maispotente, o skunk. Apesar da lei que proíbe, em alguns países, o consumo e outrasformas cerca de 200 milhões de pessoas são usuárias de maconha no mundo,segundo estimativa da ONU, o que envolve 4% da população ativa. O país com o maior número de consumidores é a França.

    John McGrath, do Instituto Neurológico de Queensland, na Austrália, continua a referida notícia informando, estudou mais de 3.800 homens e mulheres nascidos entre 1981e 1984 e comparou seus comportamentos, após completarem 21anos de idade, para perguntar-lhes (já eram pacientes) sobre a maconha em suas vidas, avaliando os entrevistados para episódios psíquicos. Cerca de 18%relataram uso de maconha três anos ou mais, cerca de 16% de quatro a cinco anose 14% durante seis ou mais anos. Comparados aos que nunca haviam usado cannabis, jovens adultos, que tinham seis ou mais anos desde o primeiro uso da droga, tinham duas vezes mais chances dedesenvolverem psicose não afetiva, como esquizofrenia, disse McGrath, conforme estudo publicado na revista de psiquiatria “Archives of General Psychiatry”.

    Mais uma voz responsável surge para acabar com a ideia deque maconha é uma droga inofensiva. A diretora do Instituto Nacional sobreAbuso de Drogas (Nida, em inglês), a mexicana Nora Volkow, jogou mais uma pá decal nessa falácia: – Há quem veja a maconha como uma droga inofensiva. Trata-sede um erro. Comprovadamente, a maconha tem efeitos bastante danosos. Ela podebloquear receptores neurais muito importantes. Estudos feitos em animais mostraram que, expostos ao componente ativo da maconha, o tetraidrocanabinol(THC), eles deixam de produzir seus próprios canabinoides naturais (associados ao controle do apetite, memória e humor). Isso causa desde aumento da ansiedade até perda de memória e depressão. Claro que há pessoas que fumam maconha diariamente por toda a vida sem que sofram consequências negativas, assim comohá quem fume cigarros até os 100 anos de idade e não desenvolva câncer depulmão. Mas até agora não temos como saber quem é tolerante à droga e quem não é. Então, a maconha é, sim, perigosa – afirmou a psiquiatra que conduziu na década de 80 os estudos comprovando que a cocaína causa dependência química, além de graves danos ao cérebro.

    Outras pesquisas revelam que o uso da maconha – uma porta deentrada para a dependência de outras drogas- pode causar, além de transtornos psiquiátricos, câncer de pulmão (tal e qual o cigarro), câncer de testículo e ainda afetar a memória. Aos pais fica o alerta sobre as possíveis mudanças comportamentais de seu filhos, entre elas: agressividade, abandono do estudo edo trabalho, desmotivação para o esporte, apatia, depressão, troca da noite pelo dia, hematomas nos braços, olhos constantemente avermelhados, lábios ressecados, gasto excessivo de dinheiro, delírios, sumiço de bens móveis emcasa e outras alterações comportamentais.

    Os altos impostos que todos pagamos com o tratamento erecuperação de vítimas do alcoolismo e do tabagismo no país já seria exemplo suficiente para inviabilizar a descriminalização e legalização da maconha. Legalizar drogas é sinônimo de aumento de consumo, do número de dependentes e de doenças psiquiátricas. O estado não pode ser o indutor (legal) do uso da droga. Deve trabalhar em sua missão de prevenção, tratamento terapêutico de dependentes e repressão qualificada ao tráfico com base na inteligência policial.

    Drogas não agregam valores sociais positivos. Se o jovem conhecesse os males da droga antes do uso certamente que não a usaria. A busca do ‘mundo colorido’ através do uso de drogas é falso. A legalização de drogas é uma grave ameaça contribuirá para a criação de uma legião de drogados sem rumo. O caminho da insensatez. Uma emenda pior que o soneto.

    Milton Corrêa daCosta é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro


  7. Prezado Rodrigo Guedes

    Primeiramente muito grato pela atenção e o link com a indicação do artigo. Ocorre que fiz uma correção ortográfica no texto, removendo para a lixeira o primeiro texto e postando o novo já com a correção. O texto é o mesmo. Talvez você agora precise criar um novo link para que os ilustres internautas possam acessar e debater o texto. Saudações e parabéns pelo trabalho humanitário.



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